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RPG: o bicho de sete cabeças (ou talvez não) desvendado para jogadores iniciantes 

Você já se pegou com medo, ou até mesmo com vergonha, de iniciar sua jornada no RPG como jogador por ter a sensação de que é algo muito complicado, cheio de regras, livros enormes? E você simplesmente não consegue entender nem mesmo para que cada dado serve? Mantenha a calma, você com certeza não está sozinho!

Apesar de parecer algo super complexo, eu garanto que você vai se surpreender com o quão fácil é cair de cabeça nesses jogos e ter uma das melhores experiências da sua vida.

Isso porque, apesar de muitos sistemas exigirem mais atenção e paciência para as leituras extensas dos livros de regras e criação de personagem, tudo isso pode se tornar divertido se você estiver em um ambiente confortável com outros jogadores e, principalmente, com um mestre experiente e paciente. 

Mas vamos por partes! Neste capítulo do Guia do Rpgista Iniciante vamos dissecar todos os pontos principais para facilitar sua compreensão geral (e essencial) dos elementos que compõem o RPG.

RPG de Mesa: Um breve resumo

O Role-Playing Game, também conhecido como RPG, é um tipo de jogo em que os jogadores assumem papéis de personagens e criam narrativas colaborativamente. O progresso de um jogo se dá de acordo com um sistema de regras predeterminado, dentro das quais os jogadores podem improvisar livremente. As escolhas dos jogadores determinam a direção que o jogo irá tomar. Ou seja, esse jogo funciona basicamente como um teatro onde existe um progresso narrativo coordenado por um narrador contando uma história (Mestre), com papéis que serão interpretados por “atores” (jogadores) em um “palco” (mesa, tabuleiro, etc).

Essa definição, de forma objetiva, engloba em sua essência o que é e como funciona o RPG de mesa. Porém conhecer alguns termos mais específicos nos farão, a partir daqui, compreender melhor como tudo isso se encaixa. São eles: Personagens, Narrativa, sistema de regras, dados, improvisação e interpretação, e o papel do mestre e dos jogadores. Vamos falar melhor de cada um deles.

1. Personagens

O personagem é o coração da sua experiência no RPG. É através do seu personagem que a história vai acontecer e onde você vai iniciar sua interpretação, seu RP (roleplay) que você vai exercitar durante a história. Pode ser um cavaleiro, uma feiticeira, um caçador de monstros, um pirata, ou qualquer outra ideia que sua imaginação permitir.

Primeiro é importante entender os três tipos de personagens que existem: personagens criados pelos próprios jogadores a partir de seus gostos e interesses; os NPCs (non-player character), que são personagens de apoio para a aventura e costumam ser criados e comandados pelo mestre, não sendo personagens jogáveis; e por fim os inimigos, monstros e chefões da campanha, também controlados pelo mestre.

Focando nos personagens dos jogadores, cada um deles possui uma ficha, onde estão suas habilidades, pontos de vida, forças, fraqueza, aparência física, personalidade e a história do seu personagem (quem ele é, de onde veio e como chegou até ali). Essa ficha é montada pelo próprio jogador seguindo as regras do livro e seus gostos pessoais por classes, raças, profissões, etc.

 
A ficha também mostra os atributos, como luta, força, inteligência e carisma, que influenciam nas ações; por exemplo, um personagem com muita força pode arrombar portas com facilidade, enquanto um com carisma alto pode convencer um NPC, ou outros jogadores, a realizar uma ação que ele quer.

2. Narrativa

A narrativa é o fio que guia a aventura. Ela pode ser uma jornada em um mundo de fantasia como em Dungeons & Dragons, uma investigação sombria em uma cidade nos anos 50 como em Call of Cthulhu, ou uma missão em outro planeta como em Traveller.

A história vai se desenrolando conforme os jogadores tomam decisões do que seus personagens farão diante da história que o mestre (ou narrador) criou, e descreve o ambiente e os acontecimentos. O mais incrível é que não existe um roteiro fixo, as escolhas dos jogadores mudam o rumo da história, criando momentos únicos e imprevisíveis a cada sessão.

3. Sistema de Regras

Quando você ouvir alguém falando “sistema de RPG”, isso apenas significa o tipo de conjunto de regras e o estilo de narrativa daquele jogo (terror, comédia, cósmico, medieval, etc). É através do sistema que se entende como o jogo funciona.
Ele serve para organizar as ações e deixar o jogo justo, e cada sistema tem seu próprio estilo e foco, como por exemplo:

  • Dungeons & Dragons (D&D): o sistema mais famoso do mundo, usa principalmente o d20 (dado de 20 lados). Ele é voltado para aventuras de fantasia com batalhas, magias e exploração.
  • Call of Cthulhu: foca em horror e investigação, usando o sistema de porcentagem (d100) — ou seja, dados de 10 lados (d10) usados juntos para gerar números de 1 a 100.
  • Ordem Paranormal RPG: inspirado em D&D, mas com uma pegada moderna e de terror. Também utiliza o d20, com regras próprias para o uso de rituais e sanidade.
  • Vampiro: A Máscara: usa apenas dados de 10 lados (d10), e o foco está na interpretação e nas intrigas entre vampiros.

Esses sistemas definem o tipo de dado, o estilo de jogo e até o clima da história.

4. Os Dados e Suas Funções

Os dados são uma das partes mais icônicas do RPG. Eles são usados para decidir o sucesso ou o fracasso das ações dos personagens — essa é a parte do RPG que mais exige sorte do que habilidade. Quando alguém tenta fazer algo difícil (como atacar um inimigo, pular um abismo ou abrir uma fechadura), o jogador lança um dado (ou vários) e o resultado determina o que acontece.

Cada dado tem um número diferente de lados, e cada sistema usa um conjunto específico deles. Então aqui vai um resumo geral do que normalmente cada um deles significa:

  • d4 (dado de 4 lados): usado para pequenas quantidades de dano ou ações de baixo impacto. É o menor dado e tem formato de pirâmide.
  • d6 (dado de 6 lados): o mais comum, igual ao de jogos tradicionais. É usado em vários sistemas simplificados e para calcular danos médios.
  • d8 (dado de 8 lados): aparece muito em sistemas de fantasia, servindo para medir ataques mais fortes ou magias intermediárias.
  • d10 (dado de 10 lados): pode ser usado sozinho ou em pares (como d100). É o principal em sistemas baseados em porcentagem, como Call of Cthulhu e Vampiro: A Máscara.
  • d12 (dado de 12 lados): representa ações ou ataques poderosos, como golpes de grandes armas.
  • d20 (dado de 20 lados): o mais famoso entre os jogadores. É usado para quase tudo em Dungeons & Dragons e Ordem Paranormal, decidindo se as ações têm sucesso ou falha.
  • d100 (ou dois d10): usado para rolar resultados de 1 a 100, comum em sistemas de investigação e terror.

Cada tipo de dado traz uma sensação diferente. Jogar um d20 pode significar uma aposta ousada, enquanto rolar vários d6 em sequência pode representar uma chuva de balas ou golpes rápidos.

Aqui vai uma informação extra: sempre que você rolar um dado e tirar o melhor número possível nele — como por exemplo rolar um D20 e tirar um 20 —, nós chamamos isso de um crítico. Mas se você falhar e tirar o menor número (1), chamamos isso de falha crítica.

5. Improvisação e Interpretação

O RPG não é apenas sobre números e regras, é principalmente sobre viver um personagem. Durante o jogo, você fala e age como ele, reagindo às situações de forma criativa. Às vezes as coisas saem do controle: um teste falha, um plano dá errado, e tudo precisa ser improvisado.
É aí que mora a magia do RPG nas risadas, interações engraçadas, nos momentos inesperados e nas histórias que nascem de forma natural e sem amarras.

6. O Papel do Mestre e dos Jogadores

O Mestre (ou Narrador) é quem conduz a história. Ele descreve o mundo, cria os desafios e interpreta os personagens que não pertencem aos jogadores (os NPCs), controla monstros e chefes perigosos, e além disso tudo media o fluxo geral da mesa.

Os jogadores, por sua vez, são os protagonistas da narrativa. Eles exploram o mundo, interagem com os personagens e tomam decisões que mudam o rumo da história e buscam juntos soluções para os desafios criados pelo Mestre.

Vale ressaltar algo muito importante: o Mestre não está ali para controlar as decisões dos jogadores e nem julgar suas escolhas. Dessa maneira é importante entender que, ao criar uma história, o mestre não pode obrigar seus jogadores a fazerem aquilo que vai estar dentro das ações que ele planejou, escreveu, ou espera que os jogadores façam..


O jogo funciona melhor quando todos colaboram e respeitam o espaço um do outro — afinal, o RPG é um jogo coletivo, onde todos constroem algo juntos.

Conclusão

O RPG é uma mistura de história, sorte, criatividade e trabalho em grupo.
Não importa se você joga com papel e lápis, em mesas virtuais ou com miniaturas, o que realmente importa é a experiência de contar histórias com amigos.

Então, escolha um sistema, monte seu personagem e role seus dados.
Afinal, cada jogada pode ser o início de uma nova aventura épica que vai lhe conceder boas risadas, memórias divertidas e emocionantes por longos anos.

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