Desde os Jardins Suspensos da Babilônia até o imponente Farol de Alexandria, as Sete Maravilhas do Mundo Antigo sempre despertaram a imaginação humana. Símbolos de poder, engenhosidade e ambição, essas construções marcaram o auge de civilizações que moldaram a história da humanidade.
A única maravilha ainda existente, a Grande Pirâmide de Gizé, permanece como um dos maiores feitos da engenharia antiga. Além disso, ela representa o orgulho e a capacidade organizacional de seu povo. Esse imaginário histórico inspirou um dos jogos de tabuleiro mais influentes do século XXI: 7 Wonders.
Das maravilhas antigas à mesa de jogo
Em 2010, o designer francês Antoine Bauza criou 7 Wonders e a editora belga Repos Production publicou o título. Desde então, o jogo se tornou um fenômeno mundial, traduzido para dezenas de idiomas e premiado em diversas categorias, incluindo o prestigiado Kennerspiel des Jahres.
Inspirado no legado das civilizações antigas, o jogo transporta os participantes para a Antiguidade. Cada jogador assume o comando de um povo histórico e precisa desenvolver sua cidade ao longo de três eras, equilibrando economia, ciência, força militar e a construção de uma grande maravilha arquitetônica.
- Número de jogadores: 2 a 7
- Duração média: cerca de 30 minutos
- Público: adolescentes e adultos
- Objetivo: acumular pontos de vitória e se tornar a civilização mais grandiosa
Mecânica acessível
Um dos grandes diferenciais de 7 Wonders está em sua mecânica principal: os jogadores escolhem cartas simultaneamente e passam as restantes aos vizinhos. Dessa forma, o ritmo se mantém rápido e dinâmico, mesmo em grupos grandes.

Cada Era representa um estágio do desenvolvimento civilizacional. Embora as regras sejam simples, as decisões carregam peso estratégico, já que cada escolha influencia diretamente o futuro da cidade e as interações com os vizinhos.
Era I – Fundamentos da civilização
A primeira Era é dedicada à base econômica. As cartas de recursos, identificadas pelas cores marrom e cinza, garantem matéria-prima e produtos manufaturados essenciais para construções futuras. Quem falha em estruturar bem essa fase inicial tende a enfrentar dificuldades nas eras seguintes.

Era II – Expansão e conflito
Com a cidade estabelecida, o jogo ganha complexidade. Entram em cena:
- Construções civis e comerciais, responsáveis por pontos de vitória e vantagens econômicas;
- Construções militares, que determinam conflitos diretos com os vizinhos ao final da era.
Nesse momento, o equilíbrio entre desenvolvimento interno e poder bélico se torna crucial. Ignorar o aspecto militar pode resultar em penalidades significativas.

Era III – O apogeu das civilizações
A terceira era representa o auge do jogo e concentra as decisões mais impactantes. Surgem cartas mais complexas, como:
- Ciência (verde): baseada em combinações matemáticas que recompensam planejamento de longo prazo;
- Guildas (roxo): cartas de efeito especial que pontuam com base nas escolhas próprias e dos adversários, frequentemente decidindo o vencedor.

Ao final da partida, os pontos são contabilizados considerando fatores como desenvolvimento científico, vitórias militares, estruturas civis, comércio, etapas da maravilha construída e até recursos restantes.
Construção estratégica
O charme de 7 Wonders está no equilíbrio entre competição e planejamento. Por isso, cada carta escolhida exige leitura constante da mesa e antecipação dos movimentos dos adversários. Não é raro que uma única jogada mude completamente o rumo da partida.
Um clássico moderno
O sucesso de 7 Wonders pode ser explicado por três pilares principais:
- Acessibilidade: as regras são aprendidas rapidamente, o que facilita a entrada de novos jogadores, sem afastar os mais experientes.
- Rejogabilidade: a combinação de cartas, civilizações e expansões garante partidas sempre diferentes, evitando a repetição.
- Imersão histórica: ao permitir a construção de maravilhas como o Colosso de Rodes, o Farol de Alexandria ou a Pirâmide de Gizé, o jogo desperta interesse pelo passado e cria uma conexão temática forte com a Antiguidade.
Além disso, o jogo favorece interação constante, aproximando pessoas de diferentes idades e níveis de experiência. Embora seja competitivo, ele estimula observação, negociação indireta e pensamento coletivo.
Ao transformar a história das grandes civilizações em uma experiência acessível e estratégica, 7 Wonders se consolidou como um marco dos jogos de tabuleiro modernos por ser uma obra que une entretenimento, cultura e design inteligente em uma mesma mesa.
Considerações finais
Depois de várias partidas, fica claro que o maior mérito de 7 Wonders não está apenas na elegância do design ou nos prêmios conquistados. Na verdade, o jogo cria histórias à mesa: cada escolha gera consequências visíveis, cada carta passada provoca dúvida e cada Era traz a sensação de que “eu poderia ter escolhido melhor”.
Jogando com amigos ou família, o título revela camadas que vão além da diversão imediata. Ele estimula leitura de mesa, planejamento e respeito pelas decisões dos outros. 7 Wonders funciona porque transforma estratégia em convivência — e é justamente aí que se mantém atual, relevante e memorável.
Em 2020, uma segunda edição trouxe arte revisada, componentes aprimorados e regras refinadas. No entanto, esta resenha se baseia na primeira edição publicada no Brasil pela Galápagos Jogos, versão utilizada pelo autor.
Agradecimento especial ao Wellington Ricieri, que sempre apoiou e participou das partidas desse jogo!










